domingo, agosto 30, 2015

Pesquisa de satisfação Monitoria Científica FaBCI

O blog da Monitoria Científica FaBCI é um projeto colaborativo de divulgação de conteúdo, ou seja, ele é resultado da parceria dos alunos com a instituição (FESPSP) e com o meio em que estamos inseridos. A ideia é promover conteúdo que seja de interesse para todos que o acompanhem.

Com intuito de melhorar a dinâmica do Blog e das rede sociais, estamos promovendo a nossa 1ª pesquisa de satisfação, pretendemos com ela, saber o que mais e menos lhe agrada no projeto.

Pedimos que todos participem e que as respostas sejam as mais sinceras possíveis, lembramos que elas são anônimas e serão usadas exclusivamente para melhorarmos os nossos serviços.

Para responder o questionário você não vai levar mais que 2 minutos.
Está preparado? Clique aqui para responder.

Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias

Entre os dias 09 e 11 de novembro de 2015, acontece em São Paulo a 8ª edição do Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias, evento organizado pelo SISEB e pela SP Leituras.

O evento tem por objetivos promover a discussão entre os profissionais e interessados na promoção e incentivo à leitura, valorização das bibliotecas, disseminação da informação; além de apresentar projetos / programas  nacionais e internacionais de incentivo e promoção da leitura, estimular o desenvolvimento das pessoas que organizam, planejam e prestam atendimento à população em equipamentos culturais e contribuir no fortalecimento da imagem das bibliotecas como espaços de integração de pessoas e de acesso à informação e leitura.


Já estão confirmados para o evento a apresentadora Adriana Couto (TV Cultura), Cayo Vinicius Honorato da Silva (UnB) e os escritores Cristovão Tezza e Ricardo Azevedo.



O evento acontecerá no Centro de Convenções Rebouças, ao lado da Estação Clínicas do metrô.

Todas as inscrições são gratuitas e podem ser realizadas clicando aqui.

*As informações acima foram retiradas do site do evento.

1ª Festa Literária de Cidade Tiradentes

Entre os dias 11 e 19 de setembro acontece a 1ª Festa Literária de Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo.

O evento conta com mais de 70 atividades culturais e literárias que tem por objetivo aproximar a comunidade ao universo dos livros. Todas as atividades são gratuitas e acontecerão em em espaços culturais, escolas, feiras livres, parques, praças e no terminal de ônibus local.

Na programação estarão presentes  autores como Luiz Ruffato, Ferréz, André Vianco, Sérgio Vaz, Heloisa Prieto, Illan Brenman, Rodrigo Ciríaco, Claudia Canto, Dario Neto, Patrícia Candido, Tula Pilar, Eduardo de Assis Duarte, Miriam Alves, Esmeralda, Ligia Ferreira, Cuti, entre outros, além de grupos locais que farão intervenções culturais ao longo do evento como a Trupe Palombar, o pessoal do Instituto Pombas Urbanas, Aos Quatro Ventos, As Três Marias entre outros.


Para saber mais sobre o evento consulte o site oficial clicando aqui.

domingo, agosto 23, 2015

Coluna Música e Livros por Bruno Carvalho

Música e Livros é uma coluna escrita por Bruno Carvalho, ex-aluno de Biblioteconomia da FESPSP, que fala a respeito de bandas e o que elas leem, mostrando que música e livros tem tudo a ver!
Este mês Bruno entrevista a banda Pornograma, de Duque de Caxias.


Da esquerda para a direita: Loemi Loureiro,
Regina Batel, Vanessa Ramos e Fabí Magnier
.
Bruno Carvalho: Quando a banda começou? Quem são as integrantes?

 A banda foi fundada no final de 2012, variando entre muitas formações.A atual é: Regina Batel (Vocal), Vanessa Ramos (Baixo), Fabi Magnier (Guitarra) e Loemi Loureiro (Bateria). O nome surgiu quando algumas meninas da antiga formação e da atual estavam conversando... A gente vê como uma forma de mostrar que, apesar de ser uma banda feminina, a gente (por ser mulher) pode falar sobre temas que homens falam com naturalidade, como sexo, mulheres, cerveja.... É como um grito de liberdade meio indefinido.

Bruno Carvalho: Quais são as temáticas presentes nas  letras de vocês?

As musicas costumam falar sobre politica, mulheres independentes e sentimentos.

Bruno Carvalho: Tem alguma música inspirada em livro?

 Não.

Bruno Carvalho: O que estão lendo no momento?

Os livros : O segredo, A convidada, A vida de um psicopata.

Bruno Carvalho: Como veem a cena de rock feminino no Rio de Janeiro? E em Duque de Caxias? 

Há bandas muito boas, tivemos a oportunidade de tocar com muitas bandas femininas com propostas bacanas e com estilos variados. Porém  são poucas que se destacam e se mantém firme. Temos como exemplo a Melyra, Indiscipline Mortarium. Creio que somos a unica banda composta apenas de garotas em ativa na cena de Caxias.

Bruno Carvalho: Qual a influência musical da banda?

As bandas: Hole, Bikini Kill, L7, The Runaways, Camberries, The Distillers, etc.

Bruno Carvalho: Fiquem a vontade para deixar uma mensagem para os leitores do blog, falar sobre a banda, dizer o que quiserem.

A banda tem como objetivo divulgação de musicas autorais em português resgatando o estilo do movimento Riots Girls, seguindo a linha punk rock, hard core e grunge, com letras em português, transmitindo claramente nossa mensagem nas letras pra o publico abordando fatos sobre a realidade e a visão dos jovens do século XXl sobre relacionamento, politica,  questões sociais, pensamentos , etc, além de mostrar o poder unicamente feminino, independente atuante no rock.Principais influencias: L7, Hole, The Distillers, Joan Jett, The Runaways, Bikini Kill, entre outras.

 A banda Pornograma nas redes sociais:

Bibliotecário: 50 anos de regulamentação da profissão

Foi com muita alegria que celebramos na semana passada o Jubileu de Ouro de nossa profissão.

Com evento solene em Brasília fomos todos agraciados e parabenizados pelos 50 anos de regulamentação da profissão de Bibliotecário, muita coisa mudou neste meio século....mas ainda há muito que mudar.

Os cursos de Biblioteconomia foram representados por meio da ABECIN - Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação,  com discurso da professora Valéria Valls, que pode ser acessado aqui, assim como os outros vídeos gravados durante a sessão solene.

Valéria Valls (ABECIN e FaBCI-FESPSP) e Regina Céli de Sousa (Presidente do CFB)

Trazemos um vídeo gentilmente cedido pelo CFB - Conselho Federal de Biblioteconomia, onde o Deputado Federal Jean Willys fala de sua relação com os livros e com os bibliotecários.


video

Seminário de Pesquisa FESPSP

Em outubro acontecerá mais uma edição do Seminário de Pesquisa da FESPSP.

As inscrições já estão disponíveis e o tema deste ano é "São Paulo: a cidade e os seus desafios", pretende-se discutir os temas essenciais da vida nesta metrópole, como cultura, trabalho, questões políticas entre outros.


O evento contará com mini-cursos, palestras, mesas redondas e apresentação de trabalhos sobre diferentes temas que permeiam o evento.

Lembramos que a participação de todos é essencial para o sucesso do Seminário de Pesquisa e que os certificados de participação podem ser utilizados como Atividades Complementares.

As inscrições podem ser realizadas aqui.

domingo, agosto 16, 2015

Coluna: Onde estão os Bibliotecários? Por Grazielli de Moraes

Olá gente, estou de volta com essa coluna maravilhosa, com o objetivo de mostrar por onde andam os bibliotecários formados pela FESPSP e com isso possibilitar uma interação entre pares e ainda tornar visível os vários campos de atuação do bibliotecário (devo confessar que estava morrendo de saudades de escrever pra Monitoria).

E pra começar o semestre, nada melhor que trazer uma bibliotecária que realizou recentemente um intercâmbio na Europa, afim de, melhorar sua vida profissional e pessoal. E de fato voltou de lá melhor e com muita experiência pra contar.

Valéria Hosana Pimentel da Silva, 32 anos formada pela FESPSP em 2010.

Após sua formação, ela trabalhou na UNIMED por seis meses com documentação e biblioteca, em seguida trabalhou com consultoria durante um ano e meio, para então receber o convite para retornar à empresa em que havia feito estagio o que a deixou muito feliz.

“ ...sempre trabalhei com arquivo, e confesso que adoro. Conhecer a 
necessidade do seu usuário, organizar a informação e depois seu usuário
encontrar o que ele precisa de forma rápida e eficaz é muito
satisfatória a sensação. Hoje não estou trabalhando, mas estava numa
grande empresa de engenharia com projetos excelentes para os arquivos da
empresa. A Biblioteconomia que me deu essa oportunidade de trabalhar
nessa grande empresa...” (SILVA, Valéria)


Pra ela, a FESPSP foi a responsável por sua excelente formação, mas acredita que “... quem escreve nossa história somos nós mesmos...”, além disso, ela menciona que mesmo que não tenha feito uma pós, fez cursos de curta duração e sempre que possível se mantêm atualizada, pra manter-se ativa no mercado competitivo.

Aos novos integrantes da área, ela deixa a seguinte mensagem:

“Se realmente é o que você gosta, venha para a Biblioteconomia, eu gosto muito, só não imaginem ganhar muita grana com nossa área. Precisamos mostrar a importância do nosso trabalho, e nós mesmos, termos a consciência do papel fundamental do profissional da informação dentro de uma Instituição...”. (SILVA, Valéria)

Além disso, Valéria deixou claro que é necessário que nós enquanto bibliotecários lutemos pela valorização de nossa área, afinal, temos um papel muito importante na sociedade e dentro das instituições, é necessário que tenhamos ousadia, criatividade e disposição, isso tudo junto só acarretará em necessidade de nosso trabalho para as empresas.

Além disso, Valéria participou recentemente de um intercâmbio o qual lhe permitiu realizar um trabalho voluntário em organização de uma biblioteca, e conta um pouquinho sobre esse processo pra nós:

“... Fui pra lá com o objetivo de aprender inglês e conhecer outro país da Europa, além de vivenciar uma cultura diferente. Dai surgiu o trabalho voluntário como uma oportunidade de aprimorar meu conhecimento na área, já que minha maior experiência é em arquivo... Acho que consegui iniciar um trabalho legal, mas por pouco tempo, desse modo não pôde ser finalizado... Alguns amigos da área me ajudaram com dicas de como melhor organizar, tais dicas e ajudas foram muito importantes para o desenvolvimento do trabalho... Não vou citar nomes, porque posso esquecer alguém, mas posso dizer que estou me sentindo muito feliz.
Ter tido a oportunidade de trabalhar em minha área e ao mesmo tempo vivenciar uma cultura diferente de forma voluntária só aumentou meu conhecimento... ”. (SILVA, Valéria)

Espero que tenham gostado em breve mais entrevistas pra lá de especiais!!!


As entrevistas desta coluna são elaboradas pela Bibliotecária e ex-aluna da FaBCI - FESPSP Grazielli de Moraes.

Workshop sobre Preservação Digital acontece em outubro

Entre os dias 19 e 23 de outubro de 2015, acontecerá o worshop sobre preservação digital em Ribeirão Preto. Essa é uma iniciativa do Ministério da Educação, Cultura e Esporte da Espanha em parceria com a Seção da América Latina e Caribe da IFLA e com a USP - Ribeirão Preto.


O workshop tem como foco programas de preservação dirigidos a iniciativas de digitalização realizadas em bibliotecas brasileiras tanto para conversão de ativos analógicos em recursos digitais como na preservação de ativos nato digitais. Da mesma forma, entendendo as bibliotecas como agentes fundamentais de políticas públicas de ciência e tecnologia (eScience), tem-se o interesse em abordar fortemente estratégias de Preservação Digital aplicada aos "open data" considerando que estes envolvem uma ação mais proativa tanto nas bibliotecas públicas quanto nas acadêmicas. Serão discutidas normas, padrões de metadados, protocolos nacionais e internacionais e, principalmente, planejamento das atividades de preservação digital, envolvendo o ciclo completo da curadoria digital, diagnose e planificação de sistemas com foco na preservação de ativos digitais e desenho de modelos de Gestão de Risco.

São 20 vagas destinadas à pesquisadores e profissionais da área que estejam envolvidos em projetos de digitalização e/ou preservação, preferencialmente de unidades de informação públicas.

Para maiores informações sobre as inscrições clique aqui.

Novo encontro da série "O estado da arte" acontece na USP

Na próxima quarta-feira (19/08) acontecerá mais uma edição da série "O estado da arte", na ECA - Escola de Comunicações e Artes da USP. O evento acontece às 14h no auditório Freitas Nobre, localizado ao lado do prédio da administração da ECA, na Cidade Universitária.


Esta edição traz como tema "O futuro de uma ilusão: culturas digitais e política cultural", a palestra será ministrada pelo Prof. José Teixeira Coelho, um dos maiores especialistas em políticas culturais do país que além de ser curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo-MASP também é consultor do Observatório de Politica Cultural do Instituto Itau Cultural, em São Paulo. O encontro tem como objetivo discutir a automação do homem e do mundo que o rodeia e a ideia de política cultural como um desafio.

A inscrição deve ser realizada o quanto antes (e você pode fazê-la clicando aqui), pois, as vagas são limitadas.

terça-feira, agosto 11, 2015

Entrevista com Prof. André Araújo

O pesquisador e professor Andre Vieira de Freitas Araujo concedeu uma entrevista muito bacana para a Monitoria Científica FaBCI, contando um pouco sobre sua trajetória profissional e sobre os desafios da carreira acadêmica.

Você não vai perder né???


M.C. - Qual o motivo pela escolha da biblioteconomia como profissão? Foi sua primeira opção?

André Araújo - Inicialmente, a escolha pela Biblioteconomia decorreu da necessidade de definir um curso na graduação. Portanto, não venho de uma história de relações prévias com o mundo dos livros, leitura e bibliotecas, muito pelo contrário.
            Música me interessava muito à época do vestibular. Eu também gostava de Psicologia, então Musicoterapia me parecia a área a ser escolhida. Não me sentia seguro o suficiente para transitar no campo da música uma vez que era tomado pela comum insegurança de um jovem de 17 anos sobre as garantias de um “sucesso profissional”. Hoje esta percepção está plenamente superada e não acredito que a escolha de uma graduação garanta o chamado “sucesso profissional”. O que fazemos com os saberes e o conhecimento é que nos conduz a estradas mais longas ou mais curtas. Para mim, o que impera, é a possibilidade de se estar feliz a partir das escolhas.
    Em 1997 prestei vestibular para Biblioteconomia pois uma amiga me disse que com esta área eu poderia trabalhar com cinema, quer dizer, documentação em cinema. Interessante que ao final nem com música e nem com cinema eu trabalhei ou trabalho, mas estas são expressões que sempre fizeram e fazem sentido em minha vida. Biblioteconomia foi minha primeira opção, ainda que não tivesse dimensão do que ela representaria para meu futuro profissional, acadêmico e pessoal.

M.C. - Como foi seu caminho acadêmico?

André Araújo - Meu período de graduação foi marcado fortemente pelo sentimento de saudade das pessoas e dos amores que deixei na cidade de São Paulo. Minha mudança para cidade de Marília (SP), em 1998, não fez parte de um projeto de vida, mas foi consequência de meu ingresso no curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (UNESP). Seguramente foi o período mais intenso de estudos de minha vida e também uma fase de fortes transformações intelectuais, afetivas e existenciais. Sou grato pela oportunidade e mantenho o carinho, admiração e contato com professores e amigos até hoje.
            Na graduação tive oportunidade de desenvolver inúmeras atividades ligadas à pesquisa e extensão, além do engajamento estudantil. Participei do grupo PET-Biblioteconomia e desenvolvi uma pesquisa de iniciação científica, sob financiamento da FAPESP, que foi determinante para o meu percurso: “Bibliotecas Monásticas Beneditinas: suas características na contemporaneidade”.  
            Fiz meu mestrado em História Social, de 2005 a 2008, na Universidade de São Paulo (USP). Este período foi extremamente marcante do ponto de vista intelectual pois o contato com a Historiografia delineou um olhar menos pragmático sobre o campo da Biblioteconomia. O mestrado me estimulou a pensar em uma Biblioteconomia histórica, sob a perpectiva da uma longa duração e não desgarrada da ordem dos saberes. Defendi a dissertação de mestrado “Dos livros e da leitura no claustro: elementos de história monástica, de história cultural e de bibliografia histórica para estudo da Biblioteca-Livraria do Mosteiro de São Paulo (Sécs. XVI-XVIII)”, em que discuto a formação da antiga biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo, sob um olhar histórico-informacional.             Embora tenha seguido meus interesses pelo campo da História do Livro e das Bibliotecas, nos últimos anos me coloquei o desafio de compreender os fundamentos e a constituição da Bibliografia. Foi e tem sido uma escolha voluntária e assustadora (rsrs)! Não me refiro à Bibliografia enquanto produto documentário, mas como disciplina constituída por interfaces teóricas e práticas que, desde sua origem, tem fundamentado o tratamento documental, seja do ponto de vista de sua descrição, classificação, circulação e mediação. Paralelamente, a Bibliografia se ocupa do mapeamento e da representação dos saberes e do conhecimento. A partir deste interesse é que estou trabalhando na minha tese de doutorado “Sobre a eminência e a ressonância da Bibliografia: Conrad Gesner (Séc. XVI) e a constituição da cultura bibliográfica”, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da ECA-USP.
            Em síntese, posso dizer que meu percurso acadêmico tem refletido justamente o interesse na compreensão dos fenômenos que envolvem a informação, o conhecimento e o documento sob a perspectiva histórica, considerando as práticas, instituições e sujeitos. É a partir destes interesses que tenho atuado nas seguintes áreas (hoje muito mais do ponto de vista teórico/pedagógico do que prático, em função da docência): Fundamentos da Biblioteconomia e Ciência da Informação, Bibliografia (História e Teoria), Bibliografia Histórica, História do Livro e das Bibliotecas, Livros Antigos e Raros, Políticas de Preservação Documental e Bibliotecas e Arquivos Beneditinos.

M.C. - E o caminho profissional?

André Araújo - Com 21 anos e um diploma de graduação fui ao Mosteiro de São Bento de São Paulo dar de presente meu TCC ao monge beneditino Dom Eduardo Uchôa pois ele havia me recebido gentilmente e aberto as portas da Biblioteca na fase em que desenvolvia minha pesquisa na graduação. Depois de alguns minutos de conversa, Dom Eduardo me convidou para trabalhar como bibliotecário na Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo.
            Enquanto meus amigos seguiam caminhos mais tradicionais ou prestavam concursos para melhor remuneração, aceitei o convite para trabalhar no Mosteiro, ainda que o ganho financeiro fosse baixíssimo. Confiei na grande oportunidade de vivenciar, agora na prática profissional, muitos aspectos que havia estudado no desenvolvimento de minha iniciação científica.
            Esse então foi meu primeiro trabalho como bibliotecário que representou meu maior desafio profissional, uma vez eu precisava tomar importantes decisões acerca da administração e dos rumos de uma biblioteca de grande importância histórica e patrimonial. Garanto que esta experiência profissional, que durou 7 anos (de 2002 até 2009), delineou meu entendimento sobre a dimensão reflexiva e aplicada da informação e do documento.
            Em 2008 também comecei a me dedicar à consultoria na área de informação e documentação, sobretudo na organização, preservação e difusão de acervos históricos e culturais, dos quais eu destaco: Fundação Telefônica (Projeto "Coleção Sino Azul”), Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Biblioteca de São Paulo (BSP), Midiateca da Mediapost Angola e Centro de Documentação e Memória do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco (CEDOC-SINDMETAL).
            Já o ensino na área começou em 2009 com o Curso Técnico em Biblioteconomia, no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC-SP). Estar no SENAC foi um verdadeiro “batismo de sangue”. Me lembro que eu tinha de lecionar inúmeros conteúdos ao longo da semana: introdução à Biblioteconomia, serviço de referência, arquitetura de bibliotecas, automação, conservação, catalogação etc. Esta experiência começou a me formar como professor e me deu uma grande amiga: Sueli Nemen Rocha.
            Em 2011 fui chamado para dar aula na graduação em Biblioteconomia, no Centro Universitário Assunção (UNIFAI). Foi uma ótima experiência pois ganhei de presente a disciplina “Produção dos Registros do Conhecimento”, que tratava da História do Livro e das Bibliotecas. Ou seja, foi a oportunidade para lecionar um tema de interesse que já vinha me acompanhando desde a época de graduação.
            No segundo semestre tive o privilégio de dar aula na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), na disciplina “Preservação de Documentos de Arquivo” do antigo Curso de Pós-Graduação “Gestão de Documentos de Arquivo”. Nesta época já vinha me interessando pelo mundo dos arquivos e da Arquivologia, então o convite da Valéria Valls caiu como uma luva!
            Embora eu estivesse muito satisfeito com este ritmo frenético entre uma carga intensa de aulas semanais (SENAC, UNIFAI e FESPSP) e a prática profissional, não resisti à oportunidade de prestar um concurso para a área/setor “História do Registro da Informação” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após a aprovação neste concurso vivi os seis meses mais angustiantes de minha vida, diante do desafio de abraçar ou não a oportunidade de me dedicar ao ensino, pesquisa, extensão e gestão em uma universidade pública.
            Desde o inicio de 2012 tenho atuado como professor do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CBG/FACC/UFRJ), onde leciono as disciplinas: "História do Registro da Informação"; "Teoria e Gestão de Livros Raros" e "Preservação e Conservação de Suportes Informacionais". Tem sido uma grande experiência vivenciar os amores e as dores de uma universidade pública federal. Certamente o encontro com pessoas tão queridas e amigas, como é o caso de Mariza Russo (há tantas outras, mas o papel dela foi fundamental para eu decidir encarar esta aventura!), me ajudou e tem me ajudado a seguir a caminhada na cidade do Rio de Janeiro. Eu moro no Rio de Janeiro, mas meus laços com São Paulo ainda são fortes pois, como eu disse anteriormente, faço meu doutorado na USP e também pertenço ao quadro diretivo da Associação de Arquivistas de São Paulo (ARQ-SP - Biênio 2015-2016), onde atualmente ocupo o cargo de secretário.

M.C. - Quais as maiores vantagens e dificuldades em ser professor, conte-nos suas experiências?           
           
André Araújo - Para mim, as vantagens do trabalho docente estão: 1) no dinamismo da profissão (a cada semestre lecionamos a mesma disciplina de forma diferente e nos deparamos com turmas distintas das anteriores); 2) na diversidade de tarefas que nos tira completamente da rotina; 3) no contato contínuo com o estudo e alunos; 4) no momento em que o aluno encontra um sentido na Biblioteconomia, seja como disciplina e/ou profissão; 5) na liberdade intelectual, que tem sido cada vez mais rara em outros contextos institucionais e profissionais. Estes pontos são contrapostos por algumas dificuldades, tais como: 1) manter uma disciplina nas tarefas diárias, de forma rigorosa, constante e imbatível (rsrs), o que nem sempre é possível; 2) trabalhar muito mais do que 40 horas semanais; 3) não ter finais de semana e férias plenos; 4) conciliar de forma satisfatória e produtiva a pesquisa, ensino, extensão e gestão; 5) e, por fim, uma dificuldade que contamina a vida docente nas universidade públicas de nosso país (e de forma ainda mais intensa nas federais): os salários e as condições de trabalho - vergonhosos dentro de um projeto em que se deseja que a educação seja a base para as transformações sociais.

M.C. - Quais foram as mudanças mais evidentes na grade curricular das universidades e faculdades de biblioteconomia na sua opinião? Estas mudanças foram boas para alunos e professores? São adequadas ao mercado de trabalho atual?

André Araújo - Para responder com mais propriedade a esta pergunta é necessário um estudo sistemático e prévio das grades. Também é preciso delimitar o campo de observação, mas as seguintes mudanças me parecem mais evidentes: o alargamento de disciplinas ligadas às tecnologias de informação e comunicação e inclusão de disciplinas que dialogam mais diretamente com temas atuais em nosso campo, tais como: bibliotecas públicas, escolares e comunitárias, preservação digital, bibliometria (tema este que já faz e fazia parte de inúmeros cursos de pós-gradução, mas que hoje está cada vez mais presente da graduação), gestão de unidades de informação, web semântica, arquitetura da informação etc. Se de um lado temos a inclusão de inúmeras temáticas nas grades que correspondem às pesquisas que vêm sendo feitas na pós-graduação (isto é extremamente positivo!), por outro lado ocorre, naturalmente, a exclusão de outras disciplinas, que no limite representa o lento apagamento de alguns campos. Neste sentido temos assistido a um movimento trágico em muitas escolas de Biblioteconomia em que as disciplinas de caráter mais reflexivo e crítico têm sido extintas. Me refiro justamente às disciplinas que delineiam as bases de nosso campo e que estimulam a uma postura crítica sobre os saberes e fazeres, independente do contexto histórico-cultural. Um simples exemplo é a oferta da disciplina de História do Livro e das Bibliotecas, que possui inúmeras outras denominações. Hoje contamos no dedo o número de escolas de Biblioteconomia em nosso país que a ofereçam de forma autônoma. Isto se deve ao forte vínculo que há hoje entre a lógica mercadológica e a universidade. Ainda, a visão pragmática e funcionalista da informação cria uma ilusão para a academia e, consequentemente, para os professores e alunos. Precisamos resistir a este movimento e reativar a ideia original de universidade. Além disso, a base humanista de nosso campo não pode ser negligenciada. Somente a partir desta perspectiva haverá melhor adequação entre formação e atuação profissional, independentemente do perfil e da grade que as escolas sigam.

M.C. - Tendo em vista o grande fluxo de informações geradas através da internet (web 2.0 e 3.0) você acredita que esta "interoperabilidade de dados digitais" é um facilitador ou dificultador hoje para a área da biblioteconomia.

André Araújo - Bem, prefiro olhar para uma camada mais profunda que envolve a relação entre tecnologia e sociedade. Se a ideia da “interoperabilidade de dados digitais” é potencializar os usos e formas de apropriação social da informação, então acredito que ela seja salutar para a área da Biblioteconomia. Nosso campo deve sustentar a ideia de que a “interoperabilidade de dados digitais” não deve se desgarrar de um modelo de sistema que trabalhe a informação e o documento de forma contextual. A Biblioteconomia se ocupou disto no passado, mas hoje não faz mais a lição de casa tão bem. Por outro lado, sua prima distante e às vezes um pouco brigada, a Arquivologia, nos lembra bem dessa lição. Eu não me iludo que a criação e o desenvolvimento de inúmeros sistemas “interoperáveis” resulte de um interesse de grandes corporações que ofertam serviços e produtos informacionais. Não me iludo pois toda tecnologia traz em si em elemento que melhora ou ameaça a qualidade de vida das pessoas. A questão é nos perguntarmos: a “interoperabilidade de dados digitais” interessa a quem? Ela favorece a quem? Estou do lado das tecnologias que favoreçam a maior aproximação entre o sujeito e o conhecimento, que favoreçam os processos educacionais e a ampliação da multiculturalidade que não pode e não deve ser desconsiderada na nossa contemporaneidade fria e complexa. Eu sei que há uma certa utopia em minha fala, mas a utopia é um forte desejo de mudança, portanto ela é muito válida.
           
M.C. - Sua beleza ajuda ou atrapalha sua carreira? (porque você sabe que é um gato certo?!) Como você lida com a "tietagem" em sala de aula e eventos.
           
André Araújo - Mas que pergunta mais complexa (rsrs)!. É sempre muito difícil falar de si a partir da percepção do outro, então não posso ou me sinto em condições de dizer se eu sou bonito ou não. Eu posso dizer com precisão quem ou o que eu acho bonito (rsrs). Para Umberto Eco, “belo” é um adjetivo que usamos normalmente para indicar algo que nos agrada. Parece, neste sentido, que o que é belo é igual aquilo que é bom. Então se tem gente que me considera bonito, entendo que acabo por agradar a estas pessoas. Neste sentido é óbvio que há um aspecto positivo do ponto de vista social e profissional, sobretudo na condição de professor. Mas o que mais me interessa é se meus alunos (ou ouvintes de uma palestra, conferência, curso) me admiram intelectualmente e apreendem algo com a experiência. Esta é a minha maior preocupação. Prefiro sempre pensar que há uma forte demonstração de carinho quando encontro alunos, ex-alunos e colegas de profissão, decorrente da admiração e, eventualmente, da amizade. Então, de forma geral, me sinto uma pessoa de sorte, dado o carinho que percebo da maioria dos alunos e profissionais que tive e tenho contato. Obviamente, há inúmeras exceções! Pode ter certeza que eu não agrado a muitas pessoas. O que sustenta a ideia de beleza está em uma esfera mais complexa daquilo que é visível e palpável, além de estar atrelado às condições histórico-culturais que criam determinados “padrões” de beleza. Bem, as coisas que conquistei hoje decorreram certamente do meu esforço (constantemente flutuante, entre a preguiça, a angústia e a obsessão (rsrs)), pois escolhi ser bibliotecário e depois professor, o que me coloca em constante avaliação, não por uma ou duas pessoas, mas por uma coletividade que às vezes é agressiva. Bem, sobre a tietagem: quando ocorre a aproximação eu adoro, é claro, pois sou muito sociável e adoro estar e saber das pessoas que gosto. No fundo eu queria que a vida fosse uma grande festa diária com uma bela trilha sonora do Manic Street Preachers, New Model Army e Morrissey. J.

A entrevista com o Prof. André Araújo foi elaborada por nossa querida bibliotecária e ex-aluna da FESPSP 
Renata Postalli.

domingo, agosto 09, 2015

O mercado de trabalho na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação no século XXI

O Bibliotecário Maurício Chatel Vasconcellos Filho nos enviou um excelente texto sobre o mercado de trabalho para os bibliotecários, é uma importante reflexão para os profissionais que buscam novas oportunidades na área.

A leitura vale à pena!

O presente trabalho é uma análise sobre o mercado de trabalho na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Aborda as competências profissionais necessárias para que o profissional consiga atuar e se manter empregado neste competitivo mercado de trabalho na atualidade.

A metodologia aplicada para a realização desta pesquisa bibliográfica foi um levantamento bibliográfico na literatura especializada através de textos em sites especializados, capítulos de livros além de outras fontes de informação.

Estudos acadêmicos sobre o mercado de trabalho dos profissionais da área de Ciência da Informação não são recentes. O marco inicial de estudos sobre o mercado de trabalho na área de Ciência da Informação foi um estudo dirigido por dois norte-americanos em 1969. Após este marco inicial muitos outros se sucederam.

O mercado de trabalho tem sofrido grandes mudanças desde o surgimento da Informática, do uso da Internet, do uso das intranets das organizações e do uso das comunicações virtuais que conectam profissionais, empresas da iniciativa privadas e públicas e terceiro setor.

De acordo com Pereira (2005, p.21), o mercado de trabalho continua passando por grandes transformações, de abrangência local, conjuntural, estrutural e globalizada, numa grande velocidade e intensidade.

Na primeira metade da década de 1990, o uso da Internet era limitado a pesquisadores, estudantes de pós-graduação em centros de pesquisa e em universidades.

Com o rápido desenvolvimento do mundo virtual, as organizações, centros de pesquisa, e pessoas físicas perceberam que o mercado de trabalho iria sofrer mudanças radicais e tanto as empresas quanto os profissionais teriam que se adaptar para se manterem neste novo mercado de trabalho e sobreviverem em um mundo cada vez mais competitivo onde as exigências e necessidades são cada vez maiores.

As tecnologias da informação devem ser consideradas ferramentas básicas do trabalho dentro de uma unidade de informação, uma vez que o processamento técnico, o gerenciamento, a recuperação e a disseminação de informações através destas tecnologias são mais eficientes e eficazes. Fazendo um histórico no período pré-internet, as bibliotecas brasileiras apresentavam uma estrutura tradicional, com os seus catálogos tradicionais externos voltados aos consulentes e os internos voltados para os profissionais das bibliotecas, onde todo o acervo da biblioteca estava representado em fichas catalográficas, datilografadas uma a uma, com a finalidade de descrever o conteúdo de cada obra bibliográfica e a sua localização nas estantes através do número de chamada.

Segundo Marcondes & Mendonça (2005) a web representa uma mudança de paradigma radical com relação aos serviços bibliotecários, pois ela proporciona um ambiente informacional amplo, global, de um alcance nunca visto pelos antigos serviços bibliotecários, acostumados a trabalhar num ambiente delimitado, com uma comunidade de usuários identificável, restrita às vezes conhecida.

Neste novo ambiente, as bibliotecas adquiriram uma nova dimensão. Lancaster (1994, p.9) afirmava diante da emergência dos recursos de informação cada vez mais acessíveis via redes, que o novo papel das bibliotecas era o de prover o acesso à informação ao invés da propriedade. Com o advento da Informática e da Internet, a Biblioteconomia sofreu uma profunda mudança estrutural, pois o mercado de trabalho nesta área começou a demandar profissionais bibliotecários mais qualificados, com competências e posturas profissionais que até então estes não possuíam.

Segundo Passos (2004) as competências básicas que os profissionais bibliotecários devem ter são:

1)demonstrar forte comprometimento com a excelência do serviço ao cliente;

2) reconhecer a diversidade dos clientes e da comunidade;

3) entender e apoiar a cultura e o contexto da biblioteca e das instituições similares;

4) demonstrar conhecimento da teoria da Ciência da Informação e do ciclo documentário;

5) exibir habilidades de liderança, incluindo pensamento crítico, tomada de risco, independente de sua posição na estrutura administrativa;

6) dividir o conhecimento e a perícia com colegas e clientes;

7) comunicar-se efetivamente com editores e com a indústria gráfica para promover os interesses da biblioteca;

8) reconhecer o valor da rede profissional e participar ativamente das associações profissionais;

9) perseguir ativamente o desenvolvimento pessoal e profissional através da educação continuada.

Uma nova habilidade exigida para os profissionais é a fluência tecnológica.

De acordo com Demo (2011, p.18), fluência tecnológica pode ser entendida por muita coisa, desde o mero exercício de digitalização de textos até a atividade do harcker. Interessa um meio termo em geral traduzido pelo exercício de autoria virtual com o auxílio de plataformas do tipo web 2.0.

O termo web 2.0 surgiu em 2004 e foi utilizado para nomear uma conferência sobre empresas "pontocom" que sobreviveram à explosão da bolha da Internet em 2001.

Ainda de acordo com Demo (2011, p,41) na web 2.0 o foco se põe sobre softwares que implicam a participação ativa do usuário, que deixa de ser apenas consumidor para se tornar partícipe, isto é, como nos blogs (publicação de textos individuais) e wikis ( elaboração de textos coletivos).

As tecnologias oferecem ferramentas que favorecem uma posição mais dinâmica dos bibliotecários nas unidades de informação.

A utilização da web 2.0 nas unidades de informação resultou na expressão biblioteca 2.0.

Segundo Maness (2007, p.48), define-a como a aplicação de interação, colaboração e tecnologias multimídias baseadas na web para serviços de coleções de bibliotecas baseadas na web.

O bibliotecário também deve capacitar-se para utilizar as redes sociais no seu cotidiano de trabalho.

Ainda de acordo com Maness (2007, p.48) redes sociais permitem que bibliotecários e usuários não somente interagissem, mas compartilhassem e transformassem recursos dinamicamente em meio eletrônico. Usuários podem criar vínculos com a rede de bibliotecas de uma instituição qualquer, ver o que os outros usuários têm em comum com as suas necessidades informacionais, baseados em perfis similares, demografias, fontes previamente acessadas em um grande número de dados que os usuários fornecem.

Segundo Yamaschita ( 2012, p.166), as tecnologias desafiam o profissional bibliotecário no desempenho de seu trabalho e até mesmo na sua função social.

As redes sociais são canais de comunicação para se disseminar informações de maneira rápida e muitas vezes sem custo financeiro.

A formação acadêmica básica dos profissionais bibliotecários é a nível de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação em instituições de ensino superior públicas e privadas. A formação do bibliotecário já vem há algum tempo acompanhando as exigências do mercado de trabalho. As habilidades técnicas e conhecimentos profissionais atualmente encontrados nos egressos dos cursos de graduação em Ciência da Informação retratam bem esta evolução.

Segundo o projeto político pedagógico do curso de Bacharelado em Biblioteconomia e Ciência da Informação da UFScar ( 2012/2014) algumas das principais competências e habilidades profissionais necessárias para a formação do bibliotecário são:

1) Analisar a informação e a produção do conhecimento;

2) Aplicar métodos de análise de informação para apoiar a tomada de decisão;

3) Assessorar a avaliação de coleções bibliográfico-documentais;

4) Avaliar resultados do uso da informação e investigar as soluções dos problemas relacionados ao trabalho com a informação;

5) Conhecer sistemas de classificação das fontes de informação, acesso, recuperação e análise e proteção da informação;

6) Desenvolver ações expositivas, visando à extroversão dos acervos sob sua responsabilidade;

7) Dirigir, administrar, organizar e coordenar unidades, sistemas e serviços de informação;

8) Dominar a lógica do sistema de indexação;

9) Elaborar produtos de informação, com base em conhecimento especializado do conteúdo dos recursos da informação, inclusive habilidade de avaliá-los e filtrá-los tecnicamente;

10) Formular e gerenciar projetos, produtos, serviços e informação;

11) Planejar, constituir e utilizar redes de unidades e serviços de informação;

12) Planejar, coordenar e avaliar a preservação e a conservação dos materiais armazenados nas unidades de informação;

13) Realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação;

14) Selecionar, avaliar, representar, organizar e difundir a informação gravada em qualquer meio para os usuários de unidades, serviços e sistemas de informação;

15) Trabalhar em equipe;

16) Desenvolver de forma eficiente e eficaz o processo de comunicação;

17) Utilizar e disseminar fontes, produtos e recursos de informação de qualquer natureza.

Existe também a pós graduação em Ciência da Informação ( Mestrado e Doutorado) em instituições de renome no País e ainda a possibilidade de os profissionais bibliotecários fazerem pós-graduação em outras áreas do conhecimento humano, isto é, em Administração, em Gestão de Pessoas, Marketing, Gestão do Conhecimento etc., sendo considerados também exemplos de educação continuada.

Segundo Pereira ( 2005, p.48), ter o domínio do Inglês, além do Inglês de turista será um pré-requisito como hoje é ter nível universitário para profissionais que desejarem ocupar alguma posição técnica ou qualificada.

Em breve será um pré-requisito para participar de processos seletivos.

Outra vantagem competitiva em relação ao domínio do idioma Inglês é ter uma vivência internacional consistente do tipo intercâmbio cultural (high school) estágios remunerados, trabalhos em projetos especiais ou a realização de cursos de aperfeiçoamento de idiomas ou técnicos.
Ainda de acordo com Pereira (2005, p.47) as empresas cada vez mais estão buscando e valorizando profissionais polivalentes, com experiências em ramos diferenciados e com vivências em diferentes culturas organizacionais.

Finalizando, o importante é que os profissionais bibliotecários tenham em mente que a educação continuada (domínio das diversas tecnologias da informação, domínio de língua estrangeira etc) é de suma importância para a sua própria sobrevivência neste competitivo e turbulento mercado de trabalho na atualidade.

Como dizem também os especialistas, o marketing pessoal também é outra estratégia muito útil para se manter empregado.


REFERÊNCIAS:

DEMO, Pedro. Habilidades e competências no século XXI. 2 ed. Porto Alegre: Mediação, 2011. 104p. ISBN 978.85.7706-053-5.

LANCASTER, FredericWinfred.  Ameaça ou oportunidade? o futuro dos serviços de bibliotecas à luz das inovações tecnológicas. Rev. Escola de Biblioteconomia da UFMG, v.25, n.1. p. 7-27, jan./jun. 1994.

MANESS, Jack, M. A teoria da biblioteca 2.0: web 2.0 e as suas implicações para as bibliotecas. Info & Soc., João Pessoa, v. 17, n. 1, p.43-51, jan/abr. 2007. Disponível em : < http; //periodicos.ufpb.br/ojs 2/ index.php/ies/article/view/ 831/1464> Acesso em: 04 ago. 2011.

MARCONDES, Carlos Henrique; MENDONÇA, Marília. Serviços via Web em bibliotecas universitárias brasileiras. Disponível em:<www.cinform.ufba.br> Acesso em: 2005.

PASSOS, Edilene. Bibliotecário jurídico, seu papel seu perfil. Disponível em: Acesso em: 05 abril 2004.

PEREIRA, Paulo. Profissionais & empresas: os dois lados de uma mesma moeda no mercado de trabalho. São Paulo: Nobel, 2005. ISBN  85-213-1292-x.

O PROFISSIONAL da informação em tempos de mudanças. Campinas, SP, Alínea, 2005. 104p.PROJETO Político Pedagógico do Curso de Bacharelado em Biblioteconomia e Ciência da Informação. UFScar. Disponível em: <www.progradufscar.br/projetoped/PPP_BCLUFScar.pdf>  Acesso em: 2012/set. 2014.

YAMASHITA, Denise Sana; CASSARES, Norma Cianflone; VALÊNCIA, Maria Cristina Palhares. Capacitação do bibliotecário no uso das redes sociais e colaborativas na disseminação de informação. CRB-8 Digital, São Paulo, v.1, n.5, p.161-172, jan. 2012. Disponível em: Acesso em: jan. 2012.

Aluna da FESPSP trabalhou como voluntária no CBBD

Isabela Martins, aluna do 6ª semestre noturno do curso de Biblioteconomia da FESPSP trabalhou como voluntária no maior evento de Biblioteconomia do Brasil: o CBBD - Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação que ocorreu no final de julho em São Paulo.

Ela concedeu uma entrevista à Revista Biblioo contando um pouco sobre a maravilhosa experiência que teve como voluntária e a Monitoria Científica não poderia deixar de reproduzir trechos deste maravilhoso relato.

"Nos últimos dias 21, 22, 23 e 24 de Julho de 2015, ocorreu na cidade de São Paulo a 26ª edição do CBBD, o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, com o tema principal “Biblioteconomia, ciência e profissão”. Como sou graduanda em Biblioteconomia e moradora na cidade de São Paulo, não poderia perder esse momento tão importante.

Mas, como boa estudante, eu não tinha o dinheiro suficiente para o investimento. Estava triste e cabisbaixa, quando, na página da FEBAB, vi que eles haviam aberto as inscrições para o voluntariado pro CBBD. Vi aí minha oportunidade de participar. Enviei minha inscrição e aguardei ansiosamente. Alguns dias depois, para minha surpresa, recebi o e-mail me avisando que eu havia sido selecionada.

Alegria, alegria! Assim, no dia 20, fui à reunião para me inteirar dos pormenores do voluntariado e participação no evento já que eu, além de ajudar como voluntária, eu estava animadíssima para aproveitar o evento.

Isabela Martins

Meu primeiro dia foi no dia 21, quando ocorreram os minicursos. Ajudei na confecção das centenas de crachás e conheci todo o pessoal da organização. No mesmo dia, à noite, fui à abertura oficial, na belíssima Sala São Paulo, com as ilustres presenças de Nabil Bonduki, secretário de Cultura da cidade de São Paulo, Marcelo Mattos Araújo, secretário da Cultura do estado de São Paulo, Regina Céli de Sousa, presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, José Castillo Marques Neto, presidente do Plano Nacional do Livro e da Leitura e (com um emocionante discurso) Adriana Ferrari, presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB).

Na ocasião foram prestadas homenagens à professora Neusa Dias de Macedo e aos 75 anos do curso de Biblioteconomia da FESPSP. Uma noite que já antecipava o que seriam os dias seguintes: agitados, cheios, intensos e emocionantes.

Muitos se impressionaram por eu estar trabalhando como voluntaria. Eu é que me surpreendi por eles! O trabalho voluntário é um presente, onde quem dá é quem recebe mais. Não podemos perder oportunidades por ficar na defensiva; pior do que pensar “como foi ruim” é pensar “por que não tentei?”.

A Biblioteconomia precisa de entusiasmo, ação. Coloquemos em prática aquilo que nos inquieta, aquilo que duvidemos que dê certo, aquilo que ninguém acredita, mas que nos desperta o amor, a paixão. Vamos nos desafiar a tornar a Biblioteconomia o centro das atenções, em nossos empregos, em nossas casas… Avante pela Biblioteconomia ativa!"

Lembramos que o texto completo e original está disponível aqui.

Hemeroteca online Luiz Ruffato / Eles Eram Muitos Cavalos (Folha de S. Paulo)

José Gabriel Navarro, aluno do 2º semestre noturno, realizou uma pesquisa de grande valia para os colegas do 1º ano... aliando a prática adquirida  em sua primeira formação (jornalismo) com os conhecimentos exercitados no curso de biblioteconomia, o nosso querido aluno realizou uma compilação de matérias sobre o autor da obra escolhida como peça-chave do Trabalho Temático deste semestre.

Confira o material que ele nos enviou...
Luiz Ruffato
"Desde 24 de junho deste ano, já sabemos a qual obra serão dedicados os trabalhos temáticos deste segundo semestre de 2015 na faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP: o livro "Eles Eram Muitos Cavalos", do jornalista mineiro Luiz Ruffato. O título venceu outros sete (todos sobre a cidade de São Paulo) na votação aberta aos alunos.

Além de aproveitar o recesso de julho para adiantar a leitura — e, claro, para descansar! —, me dediquei a reunir material sobre o autor. Como se tratam de uma obra recente, lançada em 2001, e de um autor ainda em atividade, a imprensa, especialmente a imprensa paulistana, tem papel interessante para uma pesquisa sobre o livro e/ou o escritor.

Ao verificar a quantidade de material que havia reunido no Acervo da Folha de S. Paulo, concluí que não tinha sentido guardar tudo que havia salvo eletronicamente, em formato PDF, apenas comigo. Afinal, estamos aqui para disseminar informação, certo?

Por isso, disponibilizei online, por meio do Google Drive, os textos já publicados no jornal a respeito de Luiz Ruffato e "Eles Eram Muitos Cavalos", ou escritos pelo próprio autor para a "Folha". A ideia é facilitar o acesso, inclusive por meio de outros devices além do computador (celular, tablet, etc.), e facilitar as referências.

Usando a experiência que tive como estagiário da biblioteca da Câmara Municipal de São Paulo, nomeei os arquivos com títulos úteis no contexto de uma hemeroteca online: ano, mês e data da publicação, mais o caderno e a página em que o texto saiu. O arquivo "2015_4_18_caderno-ilustrada_p-E4", por exemplo, reproduz a página E4 do caderno Ilustrada de 18 de abril de 2015.

Excluí da hemeroteca anúncios que citassem o autor ou sua obra, bem como críticas repetidas acerca de seu trabalho. Quem quiser estudar justamente essas repetições ou as citações nos espaços publicitários pode buscá-las diretamente no site do acervo da "Folha".

O link para acessar a hemeroteca online é http://goo.gl/mLC7bW."